28 de abril de 2008

Novela Interrompida

Por pouco ou sempre que defendam os laços entre os íntimos de sangue, não se faz imprescindível este único fato real para que o acalanto chegue às faltas sentimentais de quem as tem. Outras são as precisões do homem iniciadas antes das certidões. As instituições são construídas no coração, templo finito, antes de sua função pulsadora de órgão. E o pensamento jamais conhece esse tempo contado dos dígitos.
Eu percebo meu lar dentro de mim, porque trago o mundo aqui. Sou porto e partida, não sei chegar. Entendo e sinto o gosto de solidão pela língua inteira em que se transforma o meu efêmero corpo.

Meus pés continuam a queimar.

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26 de abril de 2008

Sempre Às Vezes

Às vezes é vontade de ir ao mar e só. Sentir balanço e contornar finalmente o corpo com o sal. Entender que não há mais nada além do que sobra no peito. Veja, é um mar apenas, entende? As relações são muito interesseiras... Às vezes é vontade, às vezes é muito mais que isso. Acaba sendo coisa que se pratica sem se fazer como é de fato. Quando só é interesse, o olho vira enfeite. Às vezes o às vezes deve ser o sempre. Não? Diga-me, por que meus ouvidos ainda seguem tapados? Às vezes também o que mais preciso é de uma resposta sem palavras. Ora eu entendo o silêncio, ora também.

Fique aí parado, seguindo como deseja. Errado?
Eu aqui sigo ineditamente, como sempre foi e nunca ninguém soube, ou não saberá.
Às vezes em todo lugar.
“And I don't understand the same things as you
But I do.

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25 de abril de 2008

Vermelhos Meus Cabelos

Arranjei um lenço p'ros cabelos
Vou cobrí-los de vermelho
Esquentar de cor os fios
Encarolar os calores maneiros

Vão seguir cabelos e lenço
Fitando as multidões, sem perdões
Monocor, enfolgueirados
Compridos, festeiros, de atrito

Enroscados os cachos, danados
Desassossegam rubrando e dotados
Cintilados cheiros dos pêlos, pano
Meus cabelos sob lenços vermelhos.

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23 de abril de 2008

esperando para deitar

esvaziei os dedos em versos
carinho brotando nestes dias
janela aberta
chuva vindo
lava o peito, larva de ferro
minha palma gera leito

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22 de abril de 2008

Aquele Coração de Nascer

De repente sem conter. Umas explosões pequenas, uns barulhinhos altos, acontecimentos tortuosos e de ordenar atenção. Vinha da roupa da alma, das frestas abertas da pele. Repetidos compartimentos nascendo às incontáveis dúzias.
Irei guardar-te em meu retentor de amor.
Calma. Novos sistemas brotando. Sistemas e calmarias. O que há de oposto em prover tantos corações? O outro espírito não cabia. De tanto eram as inconstâncias, uma casa para cada impaciência. Berço macio à fonte de variada sensatez.
Eu nino você.
Corpo pulsante, bateria. Acredita um ser inteiro coração abrigar tantos mais? O outro necessitava passarela. Pois que passasse inteiro e forte e exato, num ar de luz p'ra vida. Vestido vermelho, casa e repouso.

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11 de abril de 2008

Sagracidade ou A Forma Sublime de Ser Terra

“Todo amor é sagrado.”
E que houvesse as implicações e impactos e imigrações de posse para, ainda assim, nada fugir do propósito começo pretérito de viver as sensações mais genuínas de íntima felicidade unida. Que permaneçam as minúsculas desilusões responsáveis pelas crateras nos pulmões, pelas doações de pranto recolhido nas mãos envolvidas de instinto de toque. Garanta a dúvida, esta eterna, conectiva. Pois lá estará sempre, num natal de vontade pura de abraço, a condolência maior, firme combatente. Ativa no melhor comportamento passivo capaz, impensável. Coisa que foge dos limites humanos, a maior prova desumana divina. A cada negação e recusa uma assinatura de reafirmação de compromisso do peito aberto, este acolhedor de dores inteiras de herança mundana, outras vidas, outras passagens, as mesmas sempre. E de que valem as evidências apontando a liberdade dos passos se os olhos já traçaram o próprio destino em duas coloridas esferas? A prover casa às afeições novatas, colo e calor ao pulsar estupefato do rubro relicário, segue este eterno pesar ao mesmo que se refaz em cada mísero sinal de parceria. Mesmo recolhendo a solidão, amiga fiel, sentir-se pregado as costas a matéria que se apossou a alma atrevida. Porque é alma, simplesmente. Sem peso, sem medida, sem bom ou mau senso, sem juízo... Dotada de inventário sentimental. Vai dando existência ao que não lhe compete, essencialmente, cega e amputada, liberando espaço e acumulando combustível para quase morrer - agora solidão repente. E morre só, porque é assim que se vive também só o sagrado amor de olhos fechados e braços abertos.
“Sim, todo amor é sagrado.”

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9 de abril de 2008

É o alvo mirando

Eu vou chegar de minissaia a frente do pelotão de fuzilamento.

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5 de abril de 2008

Dia é todo

há um silêncio desconhecido
de mudança
preso nas falas tímidas dos gestos
desinibido

(Sons dos pingos das águas verticais - esse órgão ressumando.)

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