2 de maio de 2008

Dos Viveres dos Dias, A Compreensão

Os últimos dias descansaram mergulhados em violência sem direito, e ao invés de recolher conseqüências menores, foram levando essa constante promoção de ternura, como se preparasse um berço confortável para o futuro dono do colo aberto, pintado de azul. As pequeninas desilusões já foram anunciadas, e é perfeitamente possível identificar tais momentos de aviso. E assim, são pequeninas presenças de tristeza que geram um choro profundo... Mas libertam do engano maior que é rejeitar solidão. Porque há sensações que não se podem ser doadas, simplesmente, ou devem virar presente enlaçado, cheio de mistérios. Outras, mais dotadas de sentimentos que atitudes, surgem em acalanto no corpo do outro que lhe devolve a denuncia do afeto provedor. Como há corpos que se casam num sentir imediato...
Os últimos dias descansaram sufocados em violência natural, e sem colher dela o desespero coerente, assistiram a uma balada serena de sorrisos sutis, encharcados de paz. Atirada ao mar bravio, sua imobilidade salva, ergue-a e conduz os seus raios de energia ao abrigo caloroso de suas mais remanescentes lembranças. Como se os momentos em que verdadeiramente o amor foi compartilhado e vivido, brotado das duas fontes igualmente, saltassem num soprar profundo e inaugurasse um novo tempo real, constante agora para reviver. Fica nos arquivos da alma o que de fato explodiu em sinceridade – o início com o seu tato nos cabelos escuros de maciez revoltada; a boca do par, pura carne, enfeitando-a de completude.
Os últimos dias descansaram surpreendidos em violência fatal, como num teste de atenção para o que se vive, para o que se faz, para o se torna. Os olhos já não podem ver estes desencantos, estas negações... E não são as canções ganhadas a verdadeira inspiração: querer seguir neste não-pedir jamais, ver brotar sem fórmula outros desejos daquele que, sem conhecer a razão genuína, pode ganhar a sua palma. Aquele corpo quente e morto encaminhou o encontro da própria alma à ela, a única coisa que poderia surgir, enfim. Recebeu o abraço de saudade, ouviu a canção da flauta velha agora calada outra vez, para nunca mais servir. Ir em versos assim, escolher ficar a memória com o que é. O que não foi, o que não aconteceu e o que não se cumpriu das palavras antes ditas, nas primeiras falas dialogadas, não ficam. Levam e guardam, ambos seres, a certeza enfeitiçada de silêncio.

Tem um caminho levemente traçado ao lado. Uma melodia tocada por alguém à minha espera. Vou ao ritmo dessa tranqüilidade de tatear pétalas, o modo de preparar-me. Estou a chegar, sorria... Nós futuro. Prepararemos o jardim juntos.

9 comentários:

Flávia disse...

Amiga, eu entendi.

E chorei.

E sabe.. eu senti a sua paz daqui. Sinto, ainda, como uma leve carícia nos cabelos - que, de tão leve, permanece infinita.

O futuro às vezes parece tão distante, mas é tão presente, minha linda. E ele sorri tão bonito pra vc...

Amor-sorriso-infinito dessa metade aqui.

Beijo, beijo, beijo.

P. disse...

Sei que você sim, amiga-metade, entenderia. Essa paz que eu preciso, que consegui merecer ter, que tenho por mim e também por sua causa.

os meus sentires mais bonitos,
e beijo, beijo, beijo.

Vanessa disse...

Minha amiga, que bom que esse silêncio não nos causou dano algum, acho que agora é hora de quebra-lo não é?
Pq tenho certeza que mesmo sem ele, a paz continuará!
E o meu coração voltou a ter paz :)

Amo sempre

Beijos

.raphael. disse...

"caraleo"...hehehe
deveria poder postar foto aqui, assim tiraria uma dos meus olhos pra vc ver o quão emocionado eles ficaram ao ler isso, um texto completamente feliz, que nos mostra a felicidade da amizade que você trás a todos!

Beijo sempre!

Rick Ferreira disse...

olá... obrigada pela visita e pelo comentario. =)

também adorei seus textos. bela poesia pulsando forte, daquelas que da vontade de reler e reler e reler...

Diogo disse...

Feliz por poder descansar em dias de sufoco e surpressas!
Que as bolas de neve também formem risos e sorrisos intensos, não só gerem um choro profundo!
Que vc ouça logo outra flauta e que seja de muita serventia!
É o que posso te desejar com toda força e convicção da nossa amizade!

Lu Martinelli disse...

Ah, Pá! Se tu soubesse o valioso jardim que andam preparando pra vc enquanto te esperam... Tu vale ouro, menina bonita, e não é porque você é a minha melhor amiga, madrinha do meu futuro filho não (hahaha!), é porque você é, simplsmente. Apareça aqui no Rio. Morro de saudade de tu. Beijo da Lu.

Ácido Poético disse...

Querida, desculpe a demora em visitar seu belo espaço.
Culpa da correria cotidiana. Adorei. Já adicionei lá no meu Ácido.
Deixo um beijo enorme, com sol
Brunø

denise disse...

Paty!Voce me surpreende todos os dias!Estou emocionada!Nao sei escrever muito, só um pouquinho, mas acredito que este pouco resuma tudo oque tenho para lhe dizer: Voce é um MULHERAO!!! Beijo! Amo voce!!!