11 de maio de 2008

Fadário

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E viveram felizes para sempre. Cumpriram a meta e foram naquele estado rumo à eternidade de se existir inabalável. Nem quiseram mais conceber outras planícies - pisaram firme, cresceram raízes naquela felicidade impenetrável e insurpreendente.
Mantiveram os mesmos rituais, não ousariam deslocar uma poeira sequer se não fosse desta escolha em se localizar. Respeitaram os fundamentos dos seres que cumpriam presença naquele lar, e celebraram as bravações constantes dos portões de ferro que limitavam o espaço, campo sagrado, e que atraiam os mais coloridos relâmpagos e raios trazidos pelas águas superiores em dias agrestes de liquidez. Brindaram cada canto de satisfação com estalos cobertos pelo suor do hálito, agora puro, abençoado em sentimentos descansados.
Voltaram à forma inicial de criatura divina, santificaram olhares em ares e tornaram intenso mar a maresia que nasceu das dilatadas íris. Deram as mãos por toda vida, compartilhando solidão. E de tão apertadas, uma a outra, esticaram as costuras da epiderme dos dedos e, acentuando as trilhas das palmas, em correnteza celeste conduziam-se ao final de era uma vez.

6 comentários:

isaque disse...

Lembro deste texto.
Lembro daquela felicidade clandestina...
Gostei dos teus textos.
Olha... Confesso:
Fiquei impressionado. Verdade.
Acho que é isso.
Desejo pra você felicidade, apenas.
Sempre.

Isaque.

Gaio disse...

www.gaiocruz.blogspot.com

.raphael. disse...

"Deram as mãos por toda vida, compartilhando solidão"... isso é de emocionar qualquer um!

Beijos sempre!

LindaRê disse...

e viva o "happy end"
bjs

Ismar Tirelli Neto disse...

te juro que isso me meteu um certo medo. acho que "desta escolha em se localizar".

brigadão pela visita e pelas palavras gentis.

abraço!

Flávia disse...

Eu quero essa felicidade, de instantes sem fim, de era um vez sem jamais deixar de ser... eu sei que existe. Tá aqui, dentro de mim em algum lugar...

Amiga linda, amor inteiro e felicidade mais ainda.

Beijo, beijo, beijo.