31 de maio de 2008

Homem homem

“Nothingman...
Nothingman...
Isn't it something?
Nothingman...”
Pearl Jam

Viveu as existências sem preserva, chamou-se Homem. E quando brotava a luz nos órgãos, Homem nascia. Ia então por todo lugar e criava, por magia, uma cidadania. Cumpria documentos, supria uns espaços, assumia temporalidade. E sem prévias saudades, voltava às práticas circulares, dessas sem evolução. Num movimento assim, tufão, Homem morria. Mas a luz retornava, num sopro de esperança indefinida, e Homem nascia. E muito enganava, talvez a si, gentes em todo instante. Continuava o pouco-dizer constante numa falácia interminável na imaginação de outrens... brotando orações, verbos e súplicas, um querer-viver sem conduta, e vinha Homem reter vontades. Pobre e sem divisas, reunia tantas incompletudes! E dava-se o ecesso de reticências. Vinha, que Homem morria. Novos piscares de luz: Homem nascia. Luzes às cegas: Homem morria - Era um caminhar de vida até a morte, morte para a vida. Se não é o que se faz no mesmo ritmo do girar da Terra? Homem homem. Nem sofria exposição para despedidas. Homem sumia, sem cuidados, sem sentimentos fraternos, sem medidas. Homem matava. Era animal para novos séculos, não estes, e passeava. Devia ter nascido antes, podia ter resolvido viver mesmo além daqui, chão quente, como ninguém o faz. As palavras do Homem estão por conta do caminho que o vento traça; e para o fim das imagens, o torcer dos olhos. Feito que recomeçou os passos à frente, aquela longa delirante estrada. Homem morria, não morre mais. Homem escondia, Homem vivia.

4 comentários:

.raphael. disse...

Lembrou-me várias coisas esse texto, primeiramente recordou-me Saramago. Mas também me veio à mente a música do Noel, filosofia:
"O mundo me condena, e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome
Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente assim
...
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava dessa gente
Que cultiva hipocrisia"

Sempre belo tudo aqui!

Aquele beijo de sempre! :)

Flávia disse...

Nascer, morrer, nascer, morrer, nascer, morrer... a gente pode escolher? Pode. A gente pode.

Né?

Amo vc.

Beijo!

Belíssimas Palavras disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Belíssimas Palavras disse...

Li ouvindo Chico! Não sei se isso foi elogio pra ti ou pra ele.
Bom foi pra mim que tive os dois.