30 de junho de 2008

Dar-se Luz (in)Terna

Sim: Existo dentro do meu corpo.
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Nem cabia mais em si: o peito apertado, os braços e pernas esmigalhados junto ao corpo dotado dos confortos e experiências. Quente, borbulhando as vontades. Ai, se pudesse livrar-se daquele esperamento constante, crescente, num grato instante presente... Estava na gravidez de si. Grávido de acontecimentos e de furacões, calmarias. Quer ainda nascer de vez, conduzir. Mesmo ainda crescido, nascer enfim. E defronte às entranhas, viu-se de ventre entorpecido dos desejos mais lúcidos. Tanto que o querer se fez em ato. E nasceu. Simplesmente, num tempo estalado. Transfigurou a gestância e ganhou o espaço. Interrompido o limite do espírito. Deu-se luz, fez-se de fim ao finito.
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27 de junho de 2008

Perdas e Ganhos

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Perdi um saco de cacos. Cacos em desuso...
Não, quem achar, não precisa me devolver.
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24 de junho de 2008

Erro à tiro

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Acabei de dar um tiro em minha cabeça
Na ilusão de que a culpada fosse a razão.
Que tola atitude minha!
Em pensar que este pesar acabaria
Em dois segundos de explosão...
Agora soube eu que é tarde,
Pois perdi completamente a racionalidade,
E fadada a sentir-me metade,
Comprovo meu simples erro vão:
A direção do tiro, inocente, eu errei;
Tinha de ser no coração.
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21 de junho de 2008

Corpo Aberto à Panorâmica

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Para enfrentar as também dúvidas do silêncio, do cume da montanha eu grito. Chega o tempo bem perto de mim e leva as palavras para longe; e só depois de horas é hora da compreensão. Sei das respostas lá do topo. Sei que cume me faz um quase hermitão - sempre coberto em cúmplice, embrulhando os sons das letras juntas, todo no ápice de uma digna redenção. Eu me rendo, e é certo.
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19 de junho de 2008

Recolher o que Foi e Ser Posse

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"Quem ama é diferente de quem é.
É a mesma pessoa sem ninguém."
Alberto Caeiro
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Soube que havia se feito presente de uma explosão comum, das quais ocorrem todos os instantes e isso ou aquilo, um ou outro nota. Quando ainda não estava aqui, a tona, era um todo inteiro sem história, uma pré-existencia invisível. Então, para ver-se como os que já ocupavam os espaços no chão, veio reiniciar-se desta vez em cacos, visto que a nova aparição e os meios para tal lhes exigiram dividir-se. Coisa ingrata esta de não ser visto quando se é de fato... Recriou-se numa explosão iluminada, tantos ele ali, aqui. E usou os cantos desconhecidos para alojar os pedaços de si e foi ter com a vida, esta metáfora. Para se ter vida, que outro caminho além de morte? Pois teve. Uma coisa-sem-nome de luz, e só. Ora vinha ele num pedaço, ora se fartava daquela falta de essência. Vinha sem saber, sentindo.
E assim que soube apertar os passos, nos descaminhos das regras de convivência, inevitável não cruzar outros. E cada cruzamento, uma nova explosão, tamanho era o choque entre as criaturas. Uma mistura de pedaços, e coisa mais inevitável era não deixar de se deixar para o outro, recolher o que passava a ser seu ali. Não era de lugar algum, vinha do nada e reunia uma vontade de tudo. Que sabia destas estradas? E os que já se localizavam, como participantes do meio, que orientação podiam oferecer? Já notou que quando se vê um imigrante, ninguém lhe oferece mapa? Pois por bem usou o traçado dos olhos, e a estrada desenhada nas palmas estavam ali, diante dos pedaços de pés. Já se viu assim? Estes cacos, esses e aqueles.
Nas curvas, ao resolver outra partilha, novos encontros tão díspares, e há memória de não deixá-los para passagem, apenas. Ele encontrou vários, mas um só que o fizesse retornar os olhos para o que já havia acontecido. Também dotada de faltas próprias, de cacos alheios, vinha outra desconhecida criatura, teu lado oposto, suplicando-lhe toque. No momento do encontro a visão dos cacos do eu-inteiro partindo-se; e em íntimas circunstâncias, a reunião dos pedaço, o único corpo, o mesmo anterior sem história, no escuro do antes de explodir. Entende quando se reconhece? Para oferecer os prêmios dessa caminhada em descoberta, tantas partes... Só surgiu luz do encontro, distinta e primária, começos de um todo composto num agora pequeno. Coisa que surgem em esquinas, essas viradas de estação, e dali continuar os seguires. Ao cumprir os planos de ir a frente, continuou ele a cruzar o espaço diante do tempo, e ela num ir para continuidade. Contudo, ficaram ambos com algo trocado do outro que sem o que se foi, não lhe seriam ternos. Foram-se, porque há de ser ir, mas foram sem.
Em passos mais pesados da parte ausente, o que restou a ele foi algo como sentir-se necessitado daquela presença de logo antes - eram as lacunas agora batizadas. Diante dessa lembrança, ir-se só pode-se perfeitamente sem satisfação. Ficar num completar instatâneo é uma meta para buscar e encerrar biografia.
Entedeu o meio de começar, virar pedaços para dar-se e recolher o que foi antes, para ser inteiro de verdade depois. Ele e ela juntos, um pronome. Querer até chegar-se ao fim da linha, reter os sis iniciais, do encontro que lhe fartou de alegria e tristeza, resultado de trocas, acolhidas e faltas, sobretudo, partilha de companhia como a primeira vez, na apresentação das sobras que carregam e são, a partir de então, construção de luz e glória, outro início e implosão.
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16 de junho de 2008

seguro domínio

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Escrevi meus desejos na palma da mão.
A linha da vida ocupou-se pela metade.
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Heroísmo, mesmo assim, tarde demais.
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12 de junho de 2008

Demonstrativo ou Coisa quase quente - quase fria de instante quase dia

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"e vivo tranquilamente
todas as horas do fim"
Torquato Neto
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Essa fortaleza obrigatória, nave sem pouso, porto distante: eu queria cair do abismo, ter morte violenta, já que o viver foi ultrapassar todos os riscos. Partilhei as minhas verdades e tenho de devolver as mais fiéis mentiras. Tenho? Essa coisa de viver, ser filha de Deus, é superficial para a impossibilidade que inteira me tornei. Essa meiguice, essa nostalgia, esse choramingar irrelevante, imprestável e acabador de mim. Só faz a porta da intolerância escancarar-se num rangido irritante. Que seja então a minha mão sobre a própria cabeça, também minha, num circular movimento até amanhecer, e o ofício a aniquilar o pulo do peito. Esse desejo de rasgar as paredes da rua e invadir o horizonte, esmurrar as montanhas, destruir essa serra quente. Esbravejar até a neblina desencantar. Essa percepção, enfim, de que o que se escreve jamais se torna verbal falado, ação pelas mãos; e que poesia é letra para todo analfabeto destacar defeito. Dar a mão à ignorancia e contentar e continuar Este Insuportável. Quem não me vê? Eu nunca fui descoberta.
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9 de junho de 2008

LISTA

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Inusitadamente, hoje eu falarei de mim:
Um mestre que me acompanha certa vez disse para estreitar minha lista de metas para a vida, pois o universo conspira para a não-realização delas, e, neste caso, eu estaria livre de frustrações. E a Flavinha, amiga-metade-minha, sabichona do http://www.sabe-de-uma-coisa.blogspot.com/ me indicou para uma reflexão prática: listar oito coisas para serem cumpridas antes da morte. Então eu, Patrícia Lage, conscientemente (ou não), deixarei registrado aqui alguns desejos meus a serem realizados enquanto há corpo. E foi difícil ter que pensar e refletir e confeccionar isto, não pelo teor da atividade, mas porque não encontrei oito coisas para querer, de fato, realizar com amplo desejo. Tenho, sim, uns dois, três. Eu ainda era pouco nascida e minha lista era interminável. E é raro perceber algo pensado lá atrás me acompanhando. Hoje não planejo muita coisa, sigo meus desejos nos instantes, em total fidelidade a mim "vou levando assim que o acaso é amigo do meu coração...".
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1 – Instalar-me em um lugar em que eu veja alguma coisa funcionar com decência e me sinta, finalmente, parte dele;
2 – Dividir palavras e uma garrafa de vinho com Eddie Vedder;
3 – Tatuar o infinito;
4 – Voltar ao teatro e à flauta por um momento, pela última vez;
5 – Ir a Londres, e na companhia do céu cinzento, tocar as águas do rio em que Virgínia Woolf se matou;
6 – Pertencer a um movimento humanitário e trabalhar em algum país da África por bons anos;
7 – Adotar um menino e chamá-lo de André;
8 – Atingir consciência do amor que cuido e guardo e doá-lo a quem, realmente, o pertence.

Pronto. Dois ou três são reais, outros são aforismos.
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Indico para:
Raphael - O final do ponto.
Élcio Jr. - Belíssimas Palavras
Kiara - Neste Instante
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Até.

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7 de junho de 2008

Para (não) ter o que deixar

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Sentei-me aqui para transcorrer meus sentimentos e ver-me maior no tamanho da matéria. É bem verdade que as palavras são sinais, mas temos, eu e elas, uma relação firmada em continuidade, como se nos estendêssemos em membros – parte de cada um, numa acolhida sem fim. Meus viveres são intensos: acabei de vir da rua e, após esta noite louca de quase-morte diante de tanta-vida, meu corpo ainda necessitou dançar no espelho. Colocar-se fora é mágica para os lentos, repare... Enquanto calculo cada espaço e ilimito movimentos de sons, o mundo gira e circula e não pára mesmo sem os pés. As nomeações vão me acompanhando num turbilhão todo tempo, e sou eu sentada aqui que bailam, cheias de fitas. Mas devo sair outra vez, noutro passear de risos, porque dessa condição de banhar os olhos aos crepúsculos coloridos meu coração também não me oferece escapatória.

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4 de junho de 2008

Início no Fim

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"descanse coração e bata em paz"
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O que eu faço não me define. Sou verdadeiramente quando resto-me.

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1 de junho de 2008

eu viro pescador

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se é p’ra ser desse mundo
vasto profano imundo
pelo descompromisso fecundo
noite dessas, eu viro pescador

se é definitiva vaidade
corpo inteiro inverdade
pela faceira idade
noite dessas, eu viro pescador

se é trabalho de graça
aberto braço à praça
pelos gritos e pirraça
noite dessas, eu viro pescador

se é amor acumulado
todo sorriso dedicado
pelo passo recusado
noite dessas, eu viro pescador

se é de punho nascido
olhar reconhece fenecido
pelo choro garrido
noite dessas, eu viro pescador

se é o mim singular
transferência ao lugar
pelo alivio, o abraçar
noite dessas, sem voltar, eu viro pescador

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