31 de julho de 2008

-se

aaa
Boca abriu.
Corpo amou.
Olho permitiu.
Alma entregou.

Apesar de tudo... Apesar de nada.
aaa

Leia Mais

28 de julho de 2008

Para (eu) continuar (em você)

aaa
Uma bússola sem nortes medidos, o coração a frente do peito levara-a de encontro a outros músculos quaisquer, primeiramente alheios. Doces vozes cantadas a outros ventos surdos e ligeiros... Inaugurava a direção das pernas esguias, brancas de plumas, nitidamente uma pressa desenhada. Como única alma para continuar-se, iam mãos e coração. Ritmo paralisado num instante de encontro, novo peito aberto ansiando transplante. O que é a vida senão estender-se? E pôs as mãos do coração itinerante sobre aquele novo porto, absolutamente, todas as batidas de vida inédita. As mãos tocadas, todas. Teu coração de fora, dentro dele. Completude de simplíssimos predicados – risos de tudo após este nada sem começo.
aaa

Leia Mais

23 de julho de 2008

Por onde crio o que abriga-me

aaa
“A minha casa está onde está o meu coração.
Ele muda, minha casa não.”
Skank


Nessa reunião de tempos, um único de repente de mudança: eu quis ter a minha casa. Para habitar os meus outros quereres, meus sons, meus instrumentos banais, meus temporais. Tecer as paredes com meus dizeres para acarinhar, finalmente, os meus costumes, dar lugar aos azedumes que já não agüentam mais e que tanto gosto; os meus viés, minhas marés, os meus pés. Minha casa de ares tantos, de braços e pernas e cantos, meu acalanto. E reconhecer as cores das posses minhas, o que é meu e sempre todo foi.

E bastava que eu mesma construísse, com o fado que trago nas veias, a minha casa enraizada nos meus ideais, nos meus suspiros escondidos, nos meus desejos ancestrais. Os pertences jogados, recusados... Meus. Minha casa merecida, conjugada por mim - filha de crenças contraditórias, de idéias mortas, de porto náufrago vazio – meus passos-raízes reais.

Mas minha casa eu quis e faço num mesmo instante, enquanto vejo-me diante de mim, um eu astuto e cheio de cicatriz. Porque eu morei em tanto corpo que não me pertenceu... Já fui de quem nem perto chegou... Os desencaixes feriram e inauguraram certas lições, e de desabrigo em desabrigo, era estrela no alto e sorriso escondido, embasando minhas dores passageiras. Minha casa sou eu, este ser recém começado, é em mim que carrego o que me continua, sou quem dá morada às minhas aventuras e as reconheço, as aceito e invento outras inlusões. Tenho eu uma garagem nas mãos, e são os meus dedos o meu passaporte em invasão. Minha casa tem o endereço da direção dos olhos, estes que faço nascer em sentidos. Voltada para mim, minha casa que abrigo. Que haja o agora – construção de meu lar que é de urgência, e eu já não espero mais.
aaa

Leia Mais

19 de julho de 2008

conjugar e operar

aaa
eu chorei demais
eu senti demais
eu corri demais
espero demais

eu de menos
aaa

Leia Mais

18 de julho de 2008

Sobre o ofício de fechar e abrir e fechar e abrir portas

aaa
A vida é uma decepção?
O júbilo de um sorriso diante de algo que não tem saída.
O teu nome, e o que fica... poesia-rima.

Para você, que sabe.
aaa

Leia Mais

10 de julho de 2008

Baile

aaa
Tinha a mão na cintura e a outra em par com a nuca do moço de camisa azul cor-do-céu-quando-está-para-chover. O mesmo moço enlaçava a moça com seus braços longos, cobria as costas com a palma da mão gigante e a rodava feito moinho de vento, sinalizando tempestade. Em trovões foram embalsamando a ocasião. Já saiam do compasso quando deram conta do encontro. Perceberam a junção das próprias matérias, salpicadas de sons e palavras cantadas na raiz da audição. Mantinham-se calados, dando vez aos termos saltados dos olhos, fuzilantes da alma alheia ali. A saia florida feito primavera recém-chegada convidava os joelhos do moço ao encontro dela, num embalo lento, desenhando jardins no ar. A camisa quase-chuva alimentava as flores da saia, e de seus donos fluíam sensações de nova estação. Todo o instante fez-se de pequeninos momentos deles, bailarinos donos do espaço. A nova época anunciava outra combinação de cores, na mistura liquida trazida daquela percepção invadida nos moços juntos. Os fios que marcavam cada pele, resultado de outros bailes e outros pares (mas) inconjuntos, transportavam-se para além do corpo patrão, indo juntar-se às linhas do outro, como se quisessem não mais ter história mortal, como se quisessem continuar sem começo e nem fim. Cada linha fugia do corpo-morada e emparelhava-se à linha vizinha de frente. Em poucas horas incontadas, as epidermes da moça de flor e do moço de chuva findaram-se, ignorando as cores do cenário. Eternizaram-se, num bailar ininterrupto. A imagem em movimento inabalável tornou-se atração do salão, logo emoldurada. Cena de temporal.
aaa
Flavinha, amiga-metade-minha, bailarina.
aaa

Leia Mais

8 de julho de 2008

Pronome II

aaa
Falem alguns...
Supunham outros uns.

Eu, luta perante - Tabu Constante - incomum.

Largo abraço, um.
Templo eterno, nu.
aaa

"I see it in your eyes
I see it in your eyes"
Athlete
aaa

Leia Mais

2 de julho de 2008

Pronome

aaa
Fica em mim...
Outro fim.

Ele, outra ponta - Parto Bárbaro - cetim.

Triz enfim,
Além de sim.

"You've been loved
You've been loved"
Joseph Arthur
aaa

Leia Mais