27 de agosto de 2008

do latim, Regresso ao Ano

E em pensar na finidade dos anos e de tudo que lhe é corpo... Creio, é no correr dos ciclos que minha coleção de passados vira exposição de casos resolvidos. Sobre o tempo destes anos, fez-me agrado à memória: das denominações, dos limites de datas ou das cores dos botões apenas ficam-me os cheiros das paisagens e as notas musicais – ora dotadas do calor dos pés, ora ilustradas deste azul cavalheiro, que me apresenta, que subjaz meu nome, que tornou-se espécie de identidade e conta ao mundo o que somente eu posso entender e não tenho medo. Quanto mais os acumulo, mais distribuo tempo em uso. A minha coleção de passados alimenta e contagia o meu futuro – história minha de percalços que conto, e sou feliz. De qualquer forma, anniversarium para mim.
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22 de agosto de 2008

Companhia para continuar sozinha


Foi um silêncio sem medida, numa quase noite mesquinha. Em raros segundos aquele choro minguado, mais ardente que neve aos olhos: como se o céu chegasse perto, e os pés girassem, e alma na calma de torturar.

As equações por toda parte e ela num cochilo sobre a carteira de canto. Sem perceber, o anel caiu dos dedos compridos dos membros cruzados, lotados das fraquezas desanimadas dos dias, num romper tremendo - o anel em aliança perdera as significâncias ao correr. Barulhou o metal na direção da planta do corpo. E no ritmo de aprender a ensinar, notou um sopro aquecido ao ouvido surdo para os sons da terra, e, num instinto de amor profundo, desenhou aquelas velhas mãos ainda dadas na lembrança. Essencialidade, retornou o metal circular pregando-se findamente. Notou o velho peso do falecido corpo nas costas de volta, o mesmo das brincadeiras de tempo passado, ainda vivo. Viu-se cheia dele, anjo protetor, novamente, curando-a do sono inoportuno em aula e libertando-a da única saudade ruim de se sentir. Permitiu os sorrisos de volta acompanhados da alma dele, ela aqui atenta (em sonho).
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19 de agosto de 2008

Menina ou Este Ser Enlaçado de Feminino

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Nasceu e foi pôr-se nesse viver de dádivas e suplícios. Foi ganhando tamanho, forma e consciência. O tempo todo mirando acima da própria cabeça aqueles que ditavam os deveres, salpicavam de direitos o limite da menina. E fazendo-se de concordar, seguia, límpida de pecados e encantada de querer. O caminho pôs-se a fazer curvas sinuosas, subidas e descidas refrescavam o ventre da menina disposta. Pouquíssimos detalhes a faziam diminuir o ritmo dos passos pesados. A cabeça levemente inclinada para a esquerda fazia questão de facilitar a chegada aos ouvidos dos passos do coração feroz dentro do peito, ansioso pelo instante que o fizesse acelerar, que o colocasse como para fora em batidas tremidas. Foi que se deu o momento de encarar as pessoas, até então no alto, de frente. E igualou-se de tarefas obrigatoriamente; viu as recompensas apenas num campo futuro, sem escolha, ainda, de colheita. As mãos sobre os olhos ensinaram-lhe à porta da reflexão, ao domínio dos pensamentos inoportunos e os transformou em novas possibilidades de causa. Percebeu o quanto foi levada às ações sem a mínima escolha, o quanto pôs-se a disposição de coisas e citações sem verdade, de histórias sem desfecho necessário, de is sem pingos. O quanto viu-se imposta a viver misérias, a mentir satisfação diante de sentimentos alheios pequenos e mesquinhos. Notou que as instruções vividas e nomeadas por todos nós 'experiências' não só nos moldam para outras tantas como a conduz a uma calmaria vasta e proporcional ao afeto quase infantil por quaisquer. Mentiram-lhe quando foi sincera, traíram-lhe quando foi fiel, enganaram-na quando perdoou e aceitou e concedeu créditos novatos. Restituída cada vez, embriagada de erros e intenções angelicais, pulou de ser menina. Ganhou sapiência além do que traz o instinto. Desafiou a lei da selva construída de pó e traçou as veredas de cimento. Firmou-se então. Destacou-se da solidão a antiga menina, implicou-lhe empreendedora de criações e puxou a espada. Foi saber de si, do que possuía, enfim, fora da realidade das horas contadas. Ao invés de querer encontrar no outro a imagem que a continuasse, foi buscar-se em si, naquilo que se guardou nos tempos em que existia efetivamente. Avançou, ouvindo-se. Colocou em uma mão o que lhe julgou importante, tão raro envolvido em três dos cinco dedos, e juntou em essencialidade. Criando a nacionalidade, encontrou a si: a melhor amiga que se tem desde sempre. A antes menina é a própria amiga dela.
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Às minhas pequenas que fui e vejo sendo por aí, nos olhos.
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14 de agosto de 2008

Das Recompensas

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Ter doado o verão me custou este inverno inteiro. Porém, já quase é hora de flor distribuir cheiro, enfeitar meu cabelo... Falta, apenas, o tempo cumprir com a própria cultura dos limites. Ou então, eu conto com os furacões e redemoinhos.
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11 de agosto de 2008

olhar meu em redores

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encontrei agora uma mulher feliz
vestia listras, cores sem nome
vestia sorrisos, alegria enorme
encontrei agora uma mulher feliz

em meio a tanta espera
coisa que supera
qualquer descaminho
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8 de agosto de 2008

Vai embora o que faz perder o Guerreiro

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E foi embora, acredita (?), a tal companheira sem compromisso, a falsa presença amásia, coisa incrédula de se saber. Partiu e nem se despediu, perjura nécia. Nem mais se quis. Foi, intransitivamente. Infame, não deixou destino, largou os trapos trastes, imundos de mundo mundano.
O quem ficou, mal esperou: insoube do passado naquele presente e permitiu-se renovada pose. Adiante desejava dali, finalmente, dar frente aos pensamentos puros. Viveria com intenção, propósito e vontade. Nada em maldade, felicidade merecida o início de luz. Realidade renovada, coisa de prêmio por tanto de tempo a suportar ingratidades caras. Recuperou o ouro escondido, criou-se num instante o novo destemido. Famigerado de loucuras arriscou canduras, distribuiu ruídos, recuperou bravuras. Cravou as sete léguas, corajoso caçador da sombra seguideira. Sorria, num contente ardente em dentes, dante alva figura.
Quem sonhava concretizar ao pensar tal faceta benévola? Nem o dono do céu, nem o criado da terra. Houve ser nenhum que pudesse socorrer tal acontecidade. Deve ter sido criatura inédita, pois inquieta, depois do abandono relâmpago, aquela miséria.
Virou troço sem esquecimento, palavra singular corrente de língua morta, manto ostente, definitivo acontecimento.
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4 de agosto de 2008

Pés

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Pisam estreando caminho para passagem daquela essência exaurida das maltratações da terra, dos feitiços sentimentais, das cobranças morais. Seguem sem regra ou regência pelos dogmas dos sentidos já calejados de falsas impressões. Repletos de cortes e direção vão firmes, desviando sombras, trovejando chegada, firmando tempo. Porém, já não chegam dotados em estímulos ou paixões, fazem de presença cuidadosa – em tempo de renúncias, tristeza é cautela. Cumprem alcanço de dignidade pelo ofício diário, suportam o cálculo da matéria, explicação de base, e pisam. Têm eles os olhos dedicados à nudez. São eles as razões da estatura. Estão neles as raízes desenhadas. E como se possuíssem luz, compõem miragens, reforçam identidade, seduzem em imaginação de passos ao criar distâncias.
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"andar a pé, ir em frente
nas ondas dos ventos, nas ondas"
Renato Teixeira
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