28 de setembro de 2008

Um afago doce precisado

A tua essência é, em favor de mim, esta completude à minha num afago doce em toda vez que me surra a saudade de ser o que, desfavoravelmente, sou quando tenho a identidade inserida aos olhos. Um afago doce precisado. Que cura da alma esta minha padecente presença quando me esvazio dela. Porque afago é coisa de quem sabe se doar em essência, este Ser sem caber. E quando afagas, amiga-metade, inauguras em mim um sorriso que não começa, mas continua.

Das fraternidades tantas, esta oriunda de mim pra ti é distinta. É-te dedicada aos preços sem limites, nascida e doada, incompreensível. Porque surge do imperceptível mais concreto que consigo prever nesta pele, que ainda consegue proteger e encaminhar os sentires. Nestas mãos que te doam, em todos os instantes, as minhas límpidas energias. Nesta saudade que eu sentia antes, quando ainda não conhecia o endereço da nossa amizade.

Eu ando dormindo as palavras, notas?! E tenho os pensamentos cercados de imagens panorâmicas, medindo esta geografia que separa os meus gestos e minhas cores dos teus, das tuas. Mas são as palavras adormecidas as criadoras do encanto que nos viciou neste mundo bonito que fazemos parte e nos acolhe no abraço de luz. E não há tristeza que retire a plenitude que encontramos nele. Se somos seres dos ideais utópicos, que permaneçamos: o presente futuro depende da utopia de amor que vertemos sem que ninguém nos peça.

de P. para F.,
amiga-metade-minha,
o meu sentir que não se diz, maior de mim, infinito.

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12 de setembro de 2008

e fugir ao Certo é conseguir



As pessoas, e as coisas, não são de verdade!
E de que é que, a miúde, a gente adverte incertas saudades?".
(ROSA, J. Guimarães. Grande Sertão: Veredas.)

Procurava, naquela pequena ocasião, separar as abtenções dos utensílios desaparecidos de valor, desfigurar as parecenças mundanas, catalogar as importâncias ficadas de cada recurso, libertar os pesos de si, limpar a presença essencial dos quereres somíticos. E o fez... Separou. Desfigurou. Catalogou. Libertou. Limpou. Nenhuma posse sobrou-lhe do resto que carregava. Pôde, enfim, ver-se sem as esmolas acumuladas das andanças, sem os pedaços 'contadores de outras histórias' que não a sua, sem os trambolhos, as bugigangas, as quinquilharias de problemas insolúveis. Fez caminhos longos e marcados pelas vestimentas remendadas, antes coloridas, impregnadas da poeira dos tempos desprovidos de começos. Quis ser só. Faltava-lhe, só, aniquilar os pensamentos passados ali presentes. Aquelas imagens nos olhos da mente nunca lhe abraçaram, mas cumpriam morada na lembrança. Lutou e relutou, desgraçado, perdeu a guerrilha contra a própria consciência. Encontrava-se nu e entorpecido de desejos por coisas e pessoas e satisfações que jamais conheceu. Tudo o que já lhe foi próximo e íntimo não se assemelhava aos anseios daquele, assim, tão pobre-rico coração. E não entendia: terminava de morrer cada pedaço de alegria ao bater não-se-sabia-o-quê dentro do peito clamando por algo incógnito, uma saudade conhecida do desconhecido ainda não vindo, o fato. Findou a ocasião pequena, mas de uma vida até se interromper. Reconheceu, por fim, que a saudade do que nunca se teve era justamente a vontade que se perdeu ao andarilhar as esquinas que nunca deixou de encontrar. Perdia para encontrar sustentação. Tornar-se apenas carne significou cobrir-se de substância presença em saudade.

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10 de setembro de 2008

Das marcas pequenas, as Liberdades imensas

Infinito é a imagem que pretendo nascer sempre; e é aqui, na raiz dessa mão que reflete meus pulsos que agora a trago, para que tudo que me é essencial torne combustível, mesmo depois da chama: que chama, inflama e ainda me liberta.

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4 de setembro de 2008

Sobre a força detrás do espontâneo


E quando fosse hora de falta
Todas as vozes, altas
Embalando tua presença em companhia
Minha, e a falta desaparecia.

Que grande surpresa nossa
Você e aquelas bossas
Eu de costas à maldade
Felicidade, o que mais nos importa?

De novo, quem diria?
Que nesse peito meu nasceria
Outro canto para alojar carinho
No endereço onde segue o teu caminho...

Foi necessidade, desvio de atenção
Três, quatro palavras trocadas
Pulsavam
Qual era mesmo a canção?

Inúmeros risos depois, lindos
Os meus versos dedicados, labirinto
Tua voz de longe aqui perto
O tempo é infinito, e o amor aberto.

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