28 de novembro de 2008

Outras Asas

28 de novembro de 2008.

"Porque não é verdade
se eu invento
o avesso daquilo que é vestido."
Maria Teresa Horta

Em certos momentos, desses maiores nos instantes minúsculos, imperceptíveis, eu quase posso me sentir com borboletas no estômago. Quando não há vazio, e eu sou só. Tanta asa batendo, tanto vento, que eu quase posso voar junto no céu limpo de azul que as cores das asas pintam no lado de dentro de mim.

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23 de novembro de 2008

Travessia Obrigada

23 de novembro de 2008.

Com os olhos famintos do que há em frente: outros sins para descobrir. A alma que resta. A casa que espera. Um lar para ser. Lá. Todo pulsar em caminhar por entre o entre. O passado em curvas sinuosas e escondido nos moinhos em que o vento se transforma, breve, no ato da passagem veloz dos corpos. E ainda acelera a sombra. Ir sem chance de parada tendo a chegada a maior atitude de retorno. Que toda volta recomeça quando os braços continuam envoltos, outros. Doar as maõs, agora.

Segue.

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20 de novembro de 2008

Caminho Inflamado

20 de novembro de 2008.

A noite cava em notícias e convites. Serena, efêmera. Assumir a dor, no desistir da tristeza, dos três tipos de liberdade. Entre a morte pequena e a maior. Entre o sim e todas as negações. Entre a verdade inevitável que paira sobre a ponte e o crepúsculo. Pendente. Um fervor de quase. E tudo aquilo que ela não consegue entender: a infância reminiscente. Sente. Árvores ocas para um eu efetivo. Se couber, os sonhos.

Continua.

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17 de novembro de 2008

só o começo

17 de novembro de 2008.

"Beijo em tua boca a alegria."

Pablo Neruda



a lua enchia
etílica
essa euforia
minha boca lia
a tua queria
taquecardia

A gente dança,


se lança,


não cansa.

Lábios lotados de carnes... Uns segredinhos molhados: Viver a noite toda de olhos fechados significando meu desejo através das palavras de amor escritas em meu céu com tua saliva. Eu te quis com a pressa daqueles anos de espera, você me protegeu dos males que não mereceu.

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15 de novembro de 2008

101 Inutilidades a respeito do meu eu e que não é o meu eu-lírico

15 de novembro de 2008.

A florzinha do Sunflower Records comemorou o seu 101o. post com uma lista de 101 fatos fúteis vividos e, assim, considerados por ela. EUPATRICIAMESMO considerei bacana a idéia e resolvi também listar o que chamo de '101 minhas inutilidades'. Eu precisava de um exercício desses...


1 – Eu nasci por conta de uma barata voadora - minha mãe tomou um susto com uma e eu, scatapluft!, nasci;
2 – Barata? PÂNICO;
3 – Enquanto habitava o ventre de mamãe, meu nome foi Marcelo;
4 – Habitei o mundo, e veja só: pela mamãe, me chamaria Whitnei; pelo papai, Maria Maria;
5 – Me chamo Patrícia (valeu mesmo, vó!);
6 – Sempre fui uma menininha bonitinha, educadinha, estudiosinha, uma gracinha...
7 – Sempre tive desejos impronunciáveis na infância;
8 – Morei em Rondônia, São Paulo, Rio de Janeiro, Rondônia novamente e etecétera;
9 – Fui emancipada e passei a morar só aos 16 anos de idade;
10 – Conheci Tucuruí/PA, minha terra natal, aos 17, numa visita aos meus pais;
11 – Tucuruí é a única cidade que me trouxe a esquisita sensação de estar em casa;
12 – Passei alguns anos vivendo em instituição de ensino por 14 horas diárias;
13 – Ser professora era a única coisa que nunca pensei em ser;
14 – Ser professora é a única coisa que sei inteiramente ser;
15 – Meu primeiro beijo na boca foi por conta de uma aposta – eu ganhei a aposta;
16 – Meu primeiro poema foi selecionado num concurso – eu perdi o concurso;
17 – Eu era TRANSLOUCADA pelo Keanu Reeves – tinha pastas, painéis e o escambau;
18 – Até o momento em que namorei um rapaz parecidíssimo com o Keanu Reeves, seu apelido era este, inclusive, e percebi que o verbo ainda poderia ser conjugado no presente;
19 – O ‘meu’ Keanu Reeves estudava na mesma faculdade que eu, e foi ele a primeira coisa que vi no primeiro dia de aula;
20 – O ‘meu’ Keanu Reeves tornou-se meu, de fato, na última semana do último ano da faculdade: os amáveis 45 minutos do segundo tempo;
21 – Não deu certo o namoro e eu, pouco tempo depois, estava namorando outra pessoa, um gay, dessa vez;
22 – Obviamente não durou e eu pus-me a namorar outras vezes...
23 – Fui noiva;
24 – Estou solteira;
25 – Tenho fama de namoradeira na turma (eu sei, eu sei...);
26 – Sou a pessoa mais romântica da turma (é triste isso);
27 – Dizem que minha vida é uma novela (eu mereço isso também...);
28 – Já namorei à distância (eu tenho que admitir que minha vida pode ser uma novela mesmo);
29 – Meu último namoro foi a coisa mais importante e complicada e simples pra mim;
30 – Eu continuo acreditando em coisas desse tipo pelo simples fato de considerar a vida essencialmente simples;
31 – Se eu pudesse, voltava atrás em algumas coisas e seria ainda mais intensa;
32 – Sou tímida;
33 – Fiz teatro na adolescência e foi a coisa mais deliciosa do universo;
34 – Passei no curso de artes cênicas na USP mas não fiz porque ‘iria me perder’, segundo meus pais;
35 – Serei a ‘Patrícia Perdida da Silva’ até morrer;
36 – Fiz Letras e estudo Literatura pra viver;
37 – Adoooooro velocidade;
38 – Odeeeeeio altura;
39 – Já disputei racha e quase fui presa por isso, salva por minha carinha de santa;
40 – Tenho 26 anos de idade, mas me comporto com a idade que bem entender no momento;
41 – Por amor não faço loucura nenhuma – não considero nada como loucura por amor;
42 – O livro da minha vida é “Cem Anos de Solidão”, do García Márquez;
43 – Eu teria um filho para chama-lo de Aureliano (por conta do romance acima), mas quem disse que eu acredito que vou encontrar um pai para ele que concorde com isso? Por isso vou adotar um, mas não vou agüentar e o chamarei de André mesmo;
44 – Eu tenho PAIXÃO pelos meus poucos amigos, admiro todos, dou a vida de olhos fechados por eles e sei que eles fariam o mesmo, já me provaram isso;
45 – A Solidão me faz bem;
46 – A Solidão me faz mal;
47 – Minha alma gêmea já morreu;
48 – Quem sabe a minha alma não seja uma de trigêmeas?
49 – Apaixono-me com o corpo e a alma juntos;
50 – Esqueço logo quando detecto mentiras - sou vítima de amnésia profunda nesse caso;
51 – Considero a felicidade e o sofrimento os maiores exemplos de ciclo e de elementos passageiros da vida;
52 – Estremeço quando escuto a voz do Eddie Vedder;
53 – Considero a Sor Juana Inês de la Cruz a maior mulher dos tempos;
54 – Eu deveria ter vivido nos anos 70;
55 – Não sei adestrar meu cérebro, e minha língua não serve para articular o que penso;
56 – Sou a rainha das infecções de garganta por conta disso - pode não ter ligação nenhuma, mas há explicação psicólógica, tenho certeza;
57 – Sou sentimental;
58 – Já tomei mais benzetacil do que picolé no verão das crianças;
59 – Adoro chuva para praticar minhas corridas;
60 – Uma hora eu vou gostar das benzetacil’s também!
61 – Sou perfeccionista, desconfio que sou portadora de TOC ou estou próxima disto;
62 – Os elogios me deixam realmente sem graça. Me acho a criatura mais sem sal da humanidade;
63 – Eu já fui mulher do Super 15, sabia??? Minha epiderme já foi azul e tudo. É...
64 – Não gosto da cidade onde moro, não gosto, ponto.
65 – Eu me pego muitas vezes contemplando o mapa-mundi;
66 – Se nada der certo, eu viro pescadora (e em alguns casos, mesmo se der certo);
67 – Se esse mestrado não acabar comigo, eu acabo com ele;
68 – Por que as coisas que amo estão longe geograficamente de mim?
69 – Eu tenho certeza absoluta que sou eu quem estou no lugar errado...
70 – E digo pra todo mundo que eu brinco, que estou enganada com isso (ha-ha-ha);
71 – O que digo de verdade transmito com os meus olhos, SEMPRE;
72 – O melhor abraço que já recebi na vida foi de um aluno de 9 anos, e ele não tinha nenhum dos dois braços - o abraço é o meu carinho preferido;
73 – Um dos maiores sentimentos fraternos que tenho é por uma amiga que ainda não vi pessoalmente;
73 – Eu vivo melhor num mundo paralelo e só algumas pessoas conseguem fazer parte dele;
74 – Na verdade, só desejo que eu tenha paz;
75 – Mas tenho certeza que não vou presenciar a paz mundial;
75 – Se eu não fosse brasileira, seria inglesa, com certeza, ou marciana;
76 – Mato minha fome com chocolates;
78 – Uso um triângulo de ouro como anel;
79 – Infinito é a minha palavra preferida e o símbolo dela estará em mim, em breve;
80 – ODEIO celular;
81 – Eu preciso arrumar um jeito de reduzir a minha conta do celular;
82 – Eu tenho DOIS celulares;
83 – Não gosto de chamar atenção, não gosto mesmo;
84 – Antes não me conformava, hoje aprecio o meu um metro e sessenta e dois centímetros exatamente porque contribuem para a minha discrição;
85 – Idéias me encantam e não rostos bonitos;
86 – Uma frase bem dita me deixa besta! Se me trouxer uma dose de vodka então...
87 – Trocaria o dia pela noite fácil, fácil se não tivesse que acordar todos os dias às 6h da madrugada para trabalhar;
88 – Gosto, adoro, amo trabalhar;
89 – Sou pau pra toda obra, só não me forcem uma hipocrisia;
90 – Tenho a escrita o meu maior exercício de liberdade;
91 – Se tenho algo para perdoar, o faço rápido e fácil, mas não aceito a coisa perdoada mais;
92 – Sou extremamente paciente, mas não suporto enrolação, nem nos cabelos!
93 – Tenho o péssimo costume de sentir saudades do que não vivi;
94 – Do que vivi não sinto falta;
95 – Tenho miopia, e já agradeci a Deus, Zeus, Buda, Alah por isso;
96 – Choro fácil, muito fácil, facílimo, exceto em velórios, seja de quem for;
97 – Significo a morte como quem significa a vida;
98 – Escuto uma música infinitas vezes sem parar, o som nas alturas, showzinhos no palco que é a minha sala - janelas fechadas, óbvio;
99 – O fundamento da existência humana vive se escondendo de mim, e o povo me acha simpática pela alegria de viver que transmito. Aquela coisa de ‘eu ando pelo mundo divertindo gente, chorando ao telefone’ – e a conta progride, progride...
100 – Eu sou por um triz eternamente, assim como todas as coisas;
101 – Fiz esta lista num estouro só, culpa dessa passionalidade toda. E está faltando inutilidade, ô!

Quem leu, puxa, obrigada.
Quem estiver a fim de fazer, sinta-se a vontade.

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14 de novembro de 2008

Dois

14 de novembro de 2008.

"Somos todos anjos de uma asa só:
É preciso nos abraçar para voar."
Mário Quintana

Desejaram voar. Ocuparam cada lado as palmas a ganhar o extenso. Asas unidas, finalmente, de encontro ao par. Seus portos diminuindo no antes, o horizonte ganhando o agora em diante. Vontades unidas, voar. Dois em um... Flutuando, amantes.

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10 de novembro de 2008

O que sou é anatômico

10 de novembro de 2008.

Eu sou um metro e sessenta e dois centímetros de coração imprimindo tempo. Um tempo que flui os sentimentos na miudez de minhas curvas. Um metro e sessenta e dois centímetros pesados da alma encaminhadora de mim.
Tenho cabelos, nem curtos, nem longos, algo assim, ainda percorrendo trajetória - que vez por outra eu cerro para recomeçar antes do fim o meu continuar que não tem margem. Os ombros de marcas das mudanças que carreguei; minha mochila nas costas tombada de sonhos nos lares por onde passei. Nos abraços que ensaio encontro meus braços dotados de pressa, os quais chegam às minhas mãos pequenas, de dedos estendidos, que alargam notas e cuidam do meu tamanho ao insistirem uns caracóis. O carinho que devo a mim. E em suas linhas, três ou quatro letras penduradas e toda a significância do alfabeto. Os caminhos possíveis riscado nas palmas, curtos, um horizonte inteiro.
Surgem no peito as minhas sensações, o meus quereres, as minhas ternuras tatuadas e saltadas das golas dos vestidos trocados dos dias. Minha barriga que abriga as borboletas multicoloridas, campo em que sinto invernos. Mas o meu umbigo alimenta-me do calor de fora. E a cintura segura a minha espada e o meu cansaço.
As corridas preparam minhas pernas para as urgências do viver. Correm todas as tardes, encurtam distâncias, anseiam o aconchego das noites para visitarem o ar. E por mais mania de calçar os pés assumo, mais nus continuam quando o seguir é para encontro. Pés encontram, sempre. Meus membros curtos, esta estatura, longas intenções.
Eu sou partes contadas que minha alma une, e encaminha. Não resisto a este caber que é intenso das coisas abstratas essenciais: dominam meu um metro e sessenta e dois centímetros de tempo crescido, que eu espero encaixe e não desejo perder mais.

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6 de novembro de 2008

Quando a saudade turva a visão

06 de novembro de 2008.

"Diga o senhor: como um feitiço? Isso.
E em mim a vontade de chegar todo próximo,
quase uma ânsia de sentir o cheiro do corpo dele,
dos braços, que ás vezes adivinhei insensantemente -
tentação dessa eu espairecia, aí rijo comigo renegava.
Muitos momentos."
João Guimarães Rosa

A longa ausência do amado provocou loucura aparente. Eram os livros, o amado; os ofícios, o amado; as imagens, sempre. Os amigos recomendaram que se distraísse, que saísse de casa para enganar o tempo vilão. Na sua realidade, encurtar as distâncias de si. O direito ao encontro, o dever.
Atenta às recomendações e às batidas do órgão maior, deixou o leito de ausência e pôs-se a andar errante pela cidade, toda em liquidez. Como quem procura, quem encontra a espera. E não suportou muito tempo. Era demais para seu coração apaixonado encontrar fragmentos do amado sendo usurpados por transeuntes desconhecidos.

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2 de novembro de 2008

Réquiem

02 de novembro de 2008.

A mulher foi perdendo as paredes que construiu todo o tempo em volta de si, no calor daquela estação do norte. Porque era novo tempo de guerra, e não é humano permanecer como antes após datar um começo de lápide. Tão longo e longe, tão lá. Ela foi perdendo. Do jeito que lutava, privada paz, e perdendo.
Dos cabelos para tranças grandes, toda fraqueza. Dos olhos de lua minguante, tal qual é noite sem estrelas próximas, vinham o conhecer das trincheiras de rua. Posto que não havia fim. Porque nada termina quando está dentro e tem raiz. Ela tinha de ser agente, e perdendo foi. Segue, até que ganha e interrompe-se. Preparado?

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