2 de novembro de 2008

Réquiem

02 de novembro de 2008.

A mulher foi perdendo as paredes que construiu todo o tempo em volta de si, no calor daquela estação do norte. Porque era novo tempo de guerra, e não é humano permanecer como antes após datar um começo de lápide. Tão longo e longe, tão lá. Ela foi perdendo. Do jeito que lutava, privada paz, e perdendo.
Dos cabelos para tranças grandes, toda fraqueza. Dos olhos de lua minguante, tal qual é noite sem estrelas próximas, vinham o conhecer das trincheiras de rua. Posto que não havia fim. Porque nada termina quando está dentro e tem raiz. Ela tinha de ser agente, e perdendo foi. Segue, até que ganha e interrompe-se. Preparado?

17 comentários:

Flávia B. disse...

não é humano permanecer como antes após datar um começo de lápide.

quando se data algo assim, é pq deve mesmo ficar para trás... então que seja assim - porque a vida é logo ali, em frente.

Beijos, linda.

Sunflower disse...

Não tenho certeza se a vida é logo ali em frente, estou para deixar uma trincheira mais habitável.

beijas

Filipe Garcia disse...

Oi Patrícia,

li seus versos e confesso que esta frase me encucou: "Porque nada termina quando está dentro e tem raiz". Bonito isso, gostei. Bonito seu estilo, sua poesia.

Garanto que volto pra ler outras coisas.

Beijo.

Ultra Violet disse...

Tem uma frase q li, e diz assim: Se queres a paz, prepara-te para a guerra.

às vezes nossa fortaleza é a maior fraqueza. Cansadas de guerra, lutamos por uma paz e isso nunca tem um fim.

Bjs.

Gabriele Fidalgo disse...

'nada termina quando está dentro e tem raiz.'

essa frase diz tanto e tanto!

Texto animador! :)

Gabriele Fidalgo disse...

E eu também estou te linkando! :*

Pavón disse...

Temos a idéia que a fortaleza que construimos nos salvará das maiores guerras, mas só quando as paredes caem é que percebemos o quao somos frágeis... porém frágeis nos descobrimos fortes, pq é sem paredes que nos fortalecemos, sem barreiras que aprendemos a viver com a faca entre os dentes e o coração a mil... lápides datadas ficam para trás, interrupções também. A vida está para onde nosso nariz aponta, e ele aponta para frente, logo ali onde nossos olhos nao alcançam mas nosso ser pode pressentir.

Beijos pescadora!

.raphael. disse...

E o sonho tem fim? Se tivesse já seria melhor nem sonhar então não? Interromper-se em um ponto para ganhar no próximo! "Do jeito que lutava, privada paz, e perdendo." Mesmo perdendo, há coisa melhor que ter paz privada!?

Beijos

livia disse...

Primaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Lindo, viu! Como sempre...
E só quem te conhece de verdade sabe das tuas experiências, do que foi e é a sua vida, entende o que você escreve e percebe a mulher maravilhosa atrás desse rosto de menina. Você é cuidadosa demais,nada é por acaso, nem mesmo as datas dos posts.
Que as perdas sejam para dar lugar ao que você merece. E o Rapha tá certo, nada melhor do que a paz privada que é tua e ninguém vai conseguir tirar. Muito orgulho de você.
beijuuuuuuuuuuuuuuuuu!
amo você!
Livia

Esther disse...

Sublime! Maravilhoso!

Vc escreve muito bem, Patrícia!
Que delícia de blog!!! Com certeza virei mais vezes,

Bjs poéticos,


~.

Cesar Oliveira disse...

Lindo sues textos. Liricos, com belos achados. Vou ler mais

Mai disse...

Olá Patrícia!
Em cada canto deste blog, há beleza. Ler teu texto foi como sair da caverna para a luz.
Muito bom.
Beijos.

paulinho damascena disse...

Belo texto,
adorei seu Blog
espero sua visitinha no meu blog

paulinho damascena disse...

esqueci o link do meu blog
kkkkkk

http://pcsouzabv.blog.uol.com.br/

Beatriz disse...

Um caminhar pela vida com suas perdas e ganhos, guardando nos passos toda a dualidade de sentimentos e emoções, esperando que o momento final chegue... nem sempre preparados estamos.

Um raio de sol a brincar na tua tarde e um beijo no coração.

Nem Li disse...

não quero perder minah paredes...Demorei anos para contrui-las.

Ígor Andrade disse...

A mulher deseja (se) perder?
Preparada?
rsrs
Abração!