30 de dezembro de 2008

Ciclo

Todo dia é de viver

Para ser o que for e ser tudo

(Milton Nascimento)

Tenho o impulso meu passaporte
Meu desejo meu meio de transporte
Essa vida que se faz em corpo
Sopro
Meu infinito dividido
Todo resto eu transporto

***

Meia dúzia de leitores, essência:
O ano termina e eu constato a solução. E fazendo-me inteira assim, toda a paz que cabe em mim, vou permitir férias, enfim... Estou em par e decidi passear.

2009 bonito!

Hasta la vista, Internet.

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24 de dezembro de 2008

De Frente

O que importa é encontrar.
Pablo Picasso

Meu fluxo de consciência corre as velocidades da avenida depois desta janela, minha pressa, na contramão das imposições. Segue contaminando dos sabores meus os canteiros plantados de cores, flores, vendavais. Não me amedronta o que é depois: armo-me de antes e faço-me livre após. E exalando meu desejo de cumprir minha vida em atos lavrados de verdade, levo-me firme, partes únicas centrais, oposta ao tráfico, irrealidade. Criada instante a instante - minha tendência - aceito as penitências e não encontro outra crença senão a de assumir estes quereres de mim alimentados por frases, mares e sensações. O que gosto define-se na força que exerço quando faço do caminho este contrário. As idéias reafirmadas nos gestos dos pés, do corpo, do desejo áspero e quente num movimento de busca. Eu grito a identidade e corro os olhos, encanto meus braços de poderes de força, escancaro o peito contra ao que vem e não termina, lá. O que eu tenho surge de cima, reafirma minha sina e esgota o que é raso. Eu não canso.

Meu fluxo de consciência corre as velocidades da avenida depois desta janela, minha pressa, na contramão das imposições para te encontrar de frente, meu amor.

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18 de dezembro de 2008

Sumidouro do espelho

Olho-me.

E eu te vi pela última vez, o último segundo da vista, dos meus olhos, o teu semblante.
E sobro-me: Agora eu despeço de mim.

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16 de dezembro de 2008

Dezena

16 de dezembro de 2008.

Não.
Não quero.
Não quero mais.
Não quero mais isso.
Não quero mais isso ficando.
Não quero mais isso ficando assim.
Não quero mais isso ficando assim fugaz.
Não quero mais isso ficando assim fugaz sempre.
Não quero mais isso ficando assim fugaz sempre maiúsculo.
Não quero mais isso ficando assim fugaz sempre maiúsculo meu.

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13 de dezembro de 2008

Triz ou Lapso Tênue de (In)Consciência

13 de dezembro de 2008.

O outro - do que não se faz o homem, a auto-suficiência.

Não acaba assim entre os espaços que não sei. Entre o silêncio e a busca por respostas que foram e são. Mas de novo eu não entendo e não consigo alcançar o outro lado, ainda. Parece escapar-se num sopro. Parece? Pois que me perdi entre o signo e as entrelinhas. Estacionar o meio em mim e distanciar as margens, todas. Posto que li meu corpo... Entre, entre e até. O que é a mente quando exposta na perguntação? Vou responder: 'não sei'. Diz que posso e que não vai estar longe. Diz? Dizem que estou repetindo palavras. Um metro quadrado de palavras, e o que faço com esse sentir que é infinito? Eu infinito, meu sentimendo que não é só verbo. Mas não percebi. Para não esquecer, para não deixar eu ir. Se eu sinto que um pedaço desapareceu e o olhar repousou, se eu sinto, é por que estou longe de mim? Qual parte ficou? Ao norte, este sul.

Faz frio, faz ficar perto de mim. Faz histórias e descrições de como eu sou para que eu possa conhecer. Cuidar. Eu deito e transborda a vida inspirada. Acabou? Eu começo-me. Agora, pelos braços estendidos: o centro. Acaba quando eu conheço, por fim. E acaba, sim.

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10 de dezembro de 2008

Fotografia, promessa e música

10 de dezembro de 2008.


"es un vano artificio del cuidado,
es una flor al viento delicada,
es un resguardo inútil para el hado:
es una necia diligencia errada,
es un afán caduco y, bien mirado,
es cadáver, es polvo, es sombra, es nada."
Sor Juana Inés de la Cruz


A fotografia tornou-se fotografia. A promessa dita não passa mais de dita promessa. A música, música. Quatro minutos e trinta e três segundos. Quatro fonemas em qualquer timbre de voz. Clic.

Tudo por um nada concreto ainda, apenas.

Viajaram do lugar doce de minhas lembranças, futuros passados deste presente diante de mim, até o fundo das gavetas sem propósitos do meu quarto claro, alto, em que dorme minha consciência tranqüila. O lugar exato para se guardar fotografia, promessa e música no sentido de que precisam ocupar este espaço para contextualizar pretéritos. E algumas gavetas são tão inúteis que assim se fazem necessárias coisas também inúteis guardadas nelas. Mas se eu morasse nesse endereço... Ocupa-se de meu sono e os sonhos exigem outros cenários, porém.

Por onde giram meus passos eu estou envolta a liberdade de (re)sentir-me em outras imagens, diferentes dizeres, novos sons. Percebe o raio da visão? A fotografia, a promessa e a música no fundo de gaveta são, agora, denominadas pelo real significado que traz seus nomes. Assim, como fotografias são imagens de coisas que foram, promessas são dizeres sem ação, e músicas são sons; eu sou corpo contrário e tolerante às manifestações de quem recebe minha atenção. No fim, refaço-me um novo começo e deixo brincar o meu significar no próximo corpo que é novo. O meu, meu. O teu, de quem for.

Fotografia, promessa e música. Mas eu cresci. E só caibo em linguagem tipicamente universal, além do que se vê, se diz e se ouve.

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7 de dezembro de 2008

Das aberturas, o encerramento

07 de dezembro de 2008.

posso enfrentar viagem, pagar tua maquiagem
posso suprir teu desejo áspero, todo fracasso
posso sofrer deveras o teu rancor universal
posso acalantar teu peito, dar cor ao teu mal

que há nuvem para o meu repouso
que existe braço aberto ao meu pranto
chuva fria, indo embora poeira íntima
peito escancarado, teu coração trancado

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3 de dezembro de 2008

Eu sou partes inteiras em qualquer lugar

03 de dezembro de 2008.

"Cada dia é uma pequena vida."
Horácio

Eu estou num intervalo, e enquanto dissolvo-me neste acontecimento sólido, e que insiste em anoitecer os meus espasmos luminosos, eu sigo meu riso escondido de alivio. Quando fujo deste mim imposto, encontro o eu que eu mereço ser, e preciso, e vivo, e não consigo morrer.

Eu sou quem assume com o corpo esta dissolidez consistente abraçada ao espírito, apurada de limites, mas que alcança as distâncias que ouso traçar e percorrer no ritmo do pular dos meus pulsos, no bater da urgência na garganta. Porque eu não moro aqui, sigo e reúno-me no meu lugar que ainda há nas minhas atmosferas do desejo, apenas. E eu chego lá, aonde for, sem viajar. Até que a terra ganhadora de minha morada torna-se lugar nenhum.

Eu viro muitas, que imagina que me faço assim, de solidão. Sou os pedaços todos por aí, num encaixe companheiro eternamente porvir. Faço par com quem é inteiro, a frente disposta, uma morada aberta. Tão pedaços, tanto cais... Eu componho-me de quem me atinge, firme, eu completo-me de outros pronomes pessoais.

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1 de dezembro de 2008

É

01 de dezembro de 2008.

O Primeiro.



É cor que me assalta
que rouba
e foge de repente.

É mão que me tapeia
que acaricia
e segue em acenar constante.

É nascente do desejo alheio
é inspiração
é causa de morte e vida
todo dia.

Todo dia.

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