A tua essência é, em favor de mim, esta completude à minha num afago doce em toda vez que me surra a saudade de ser o que, desfavoravelmente, sou quando tenho a identidade inserida aos olhos. Um afago doce precisado. Que cura da alma esta minha padecente presença quando me esvazio dela. Porque afago é coisa de quem sabe se doar em essência, este Ser sem caber. E quando afagas, amiga-metade, inauguras em mim um sorriso que não começa, mas continua.
Das fraternidades tantas, esta oriunda de mim pra ti é distinta. É-te dedicada aos preços sem limites, nascida e doada, incompreensível. Porque surge do imperceptível mais concreto que consigo prever nesta pele, que ainda consegue proteger e encaminhar os sentires. Nestas mãos que te doam, em todos os instantes, as minhas límpidas energias. Nesta saudade que eu sentia antes, quando ainda não conhecia o endereço da nossa amizade.
Eu ando dormindo as palavras, notas?! E tenho os pensamentos cercados de imagens panorâmicas, medindo esta geografia que separa os meus gestos e minhas cores dos teus, das tuas. Mas são as palavras adormecidas as criadoras do encanto que nos viciou neste mundo bonito que fazemos parte e nos acolhe no abraço de luz. E não há tristeza que retire a plenitude que encontramos nele. Se somos seres dos ideais utópicos, que permaneçamos: o presente futuro depende da utopia de amor que vertemos sem que ninguém nos peça.
de P. para F.,
amiga-metade-minha,
o meu sentir que não se diz, maior de mim, infinito.
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