10 de dezembro de 2008.
"es un vano artificio del cuidado,
es una flor al viento delicada,
es un resguardo inútil para el hado:
es una necia diligencia errada,
es un afán caduco y, bien mirado,
es cadáver, es polvo, es sombra, es nada."
Sor Juana Inés de la Cruz
A fotografia tornou-se fotografia. A promessa dita não passa mais de dita promessa. A música, música. Quatro minutos e trinta e três segundos. Quatro fonemas em qualquer timbre de voz. Clic.
Tudo por um nada concreto ainda, apenas.
Viajaram do lugar doce de minhas lembranças, futuros passados deste presente diante de mim, até o fundo das gavetas sem propósitos do meu quarto claro, alto, em que dorme minha consciência tranqüila. O lugar exato para se guardar fotografia, promessa e música no sentido de que precisam ocupar este espaço para contextualizar pretéritos. E algumas gavetas são tão inúteis que assim se fazem necessárias coisas também inúteis guardadas nelas. Mas se eu morasse nesse endereço... Ocupa-se de meu sono e os sonhos exigem outros cenários, porém.
Por onde giram meus passos eu estou envolta a liberdade de (re)sentir-me em outras imagens, diferentes dizeres, novos sons. Percebe o raio da visão? A fotografia, a promessa e a música no fundo de gaveta são, agora, denominadas pelo real significado que traz seus nomes. Assim, como fotografias são imagens de coisas que foram, promessas são dizeres sem ação, e músicas são sons; eu sou corpo contrário e tolerante às manifestações de quem recebe minha atenção. No fim, refaço-me um novo começo e deixo brincar o meu significar no próximo corpo que é novo. O meu, meu. O teu, de quem for.
Fotografia, promessa e música. Mas eu cresci. E só caibo em linguagem tipicamente universal, além do que se vê, se diz e se ouve.
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