17 de janeiro de 2009

(Auto)Desconhecimento

Espelho, outra vez.

Não vê que os atos todos que me fazem perseguir não me apetecem ou oficializam o ser que mora em mim? Eu sou feita de um segredo, que na verdade é teu: você não me conhece. E enquanto eu sou humana, tenho um corpo que alimenta e esquenta uns pensamentos... E não existe silêncio que os diga - você está surdo, cego e mudo, há tempos já não me responde.

E eu vou escancarar, pois tua desorientação nova te faz ter na memória aquela minha imagem primeira, de quando eu nascia no meio do dia. Teus olhos fechados e confiantes te mostram o que eu não sou. É tanto que este meu saber, que é você não me saber, faz-me ter-te um ter desconhecido. Se eu não sou teu íntimo, como faço-me imprescindível?

(Vire-se. E vá correndo.)

15 comentários:

Mai disse...

Patrícia,

esse saber que o outro não sabe de nós, e nem quer saber, é mortal.
E antes que nos mate e, se não quer saber, morra ele.
A morte é um determinismo.
O suicídio é livre arbítrio.
Morreria de amor, por quem me morresse, morrendo de amor.
Quem não sabe do outro e nem quer saber, morre só. E esquecido.
Pat, eu te sigo há tempos, tu sabes.
Amas tão delicado esse amor 'brutal'e imenso, que mesmo gritando: vai embora!
Tu gritas com amor.
Fico encantada porque te esforças prá ser mínima, mas és máxima.
Um brinde ao amor e a tua poesia, esta tua palavra-poesia.

Linda!
És muito.

Marcos Satoru Kawanami disse...

Patrícia,
O texto transmite angústia com eficiência.
Tá na fossa? Põe na "vitrola" Dolores Duran.
Ou então para levantar o ânimo: "Coração vagabundo", na voz de Altemar Dutra.

paz e bem
Marcos

Lilian Dalledone disse...

Também queria essa resposta: "se eu não sou teu íntimo, como tornar-me imprescindível?)...
O duro é descobrir tropeçando, né...

Sunflower disse...

e adianta correr? Quem consegue fugir de si, mesmo que si mesmo seja um outro?

Amo, né!?


Ahhhhhhhhh, manda um carrilhão de beijas pra sua mães fiquei toda lisonjeada. Quase, tipo, poft, morria.

Mais beijas ainda pra você

Sam disse...

Há sempre um bem mal interpretado em nossos tropeços... um dia entenderemos!

Feliz sábado....

Abraços, flores e estrelas...

Monday disse...

menina linda do meu coração, isso parecia a gente conversando ... rsss

liga não que o outro não sabe muito do um, ainda tem chão para eles pararem de se tratar por senhor e começarem a chamar de você ...

eterna menina, vivendo sua moça pra daqui a um tempo virar mulher ...

se depois disso eles ainda não se entenderem, aí pode começar a se preocupar ... rsss

Mary disse...

Uau!
Gostei muito do teu blog. Do visual e dos textos.
Mas hoje, infelizmente, vim aqui pra uma missão muito importante e não vou poder me deter a te ler com calma.
Peço que leia os meus 3 últimos posts e, se possível, divulgue.
Obrigada.

Esterança disse...

Patricia,

vc escreve muito bem, gostei muito de ter vindo até aqui!!

parabéns por esse espaço maravilhoso!


bjs,
Ester.

Júnior de Paiva / Dish disse...

Olá moça!
Tudo bem?
Adorei a forma como fala de si mesmo,e de teu segredo!
Acompanharei teu blog!
Beijos e boa semana!

Murilo Lima disse...

Pati!
Já tive oportunidade de ler algumas partes, antes da publicação.
E olha: Lindo.

É tão pessoal; Algo bem "meus estados", uma delicada angustia num foco de quem sabe o que quer, de quem vive a solidão por opção e não tem medo do estado de não estar.
Bem típico de uma mulher decidida, determinada, esforçada e liberta, como você!

Seu lirismo, como sempre digo, é incrível.

Imprescindível! (E é simples, assim, porque correr cansa.).

Beijos!

Murilo Lima disse...

Ps: Ou então, correr seja a solução.

tinha de acrescentar!
rs

' Rôh disse...

Huuuuuuuuuum...
Adorei as palavras, vou voltar aqui e me deliciar mais um pouco de teus escretos outras vezes, ok?


Abração. Roh

Isaque Viana disse...

Esses espelhos...

Pequena Poetiza disse...

e quem há de conhecer o outro por completo
até nós mesmos se calhar naum conhecemos
é o outro é o reflexo de nós
desde as mais escabrosas imperfeições até as mais belas qualidades.

pois é...
quem sabe um dia cheguemos perto de encontrar a maioria de nossas respostas

beijos

Flávia disse...

Amigan, eu sempre me impressiono com esses paralelismos nossos. Esse texto seu ficou (na essência, pois vc é muito mais delicada pra falar de certas coisa, rs) parecido com o meu. Mas... essa coisa de ser feita de segredo... talvez não seja segredo, sabe? Talvez seja apenas uma mensagem cifrada, sim, para muitos, mas clara e óbvia para quem é capaz de ler.

Amo vc.

Um beijo:)