31 de março de 2009

Fidelidade

"Tua única obrigação em qualquer período da vida
consiste em ser fiel a ti mesmo."
(Richard Bach)


Se fosse resumindo-me em olhos que tocam, seria o que busco incandescente. Mas admito outros aspectos que não pude deslocar antes, e ouso agora, esbravejando o pulsar, remar a minha voz junto à salvação do que é posse nascida. Vale a curva aos ímpetos em favor dos delimites não-meus? Eu quero o azar que me faça rir, a má sorte que me torne imperadora e aflore os desenhos nas atmosferas escondidas atrás da porta onde guardo os meus começos, os meus fins iniciais. Declarar quem de fato me lanço em pensamentos exatos. E após o repouso de minhas recusas, ser carregada em braços firmes, lavados de alma fiel. Eu embarcaria no espírito da liberdade e não mais trairia nem as minhas íntimas súplicas enraizadas na cor vibrante do coração sem quintal, nem as minhas ânsias nascidas junto ao espírito e iminente nas pontas dos dedos. Lavrado colo em direção de mim, cúmplice e protetor do espaço que é direito nesse Meu mais Nosso antes de sempre, o depois. Sairia daqui e assumiria a primeira pessoa que paciente aguarda-me. Eu, meu nome. E iria a cada mordida nos lábios, indício de por aonde seguir. Peito aberto, escancarado, os olhos cegos aos preços dos sentimentos. Composta e livre dos impasses, às fronteiras. Eu-minha, doada ao horizonte que eu pretender: deixaria de não me identificar mais, estaria fora dos lugares. Exijo estar onde eu, de uma vez por todas, seja alguém para começar a existir.

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23 de março de 2009

22h03min25seg

Eu nasci naturalmente triste. Triste.
E sou feliz assim.

[Porém,
Radiohead ao vivo, ao pé do meu ouvido, unifica os meus estados.]


"What the hell am I doing here?
I don't belong here
I don't belong me."

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14 de março de 2009

Das posses que somos nós

Eu guardo em mim inteira a sensação ativa de ser corpo e sentimento dirigidos a um outro sentimento e corpo quando ouço as imagens desenhadas de tuas palavras, todas tônicas e urgentes, emergindo a minha certeira condição:

_ Você é minha.

O que eu soube desde então é que fui notando o crescer das peles, cada vez mais necessitadas de toque e outras, a tua na tua voz distante acariciando esse meu descontrole. E que, por mais que eu cresça e impere minha liberdade de ser sem transitividade, tenho as mãos inquietas, as linhas das mãos ainda sem fins. Os meus ouvidos detestando sinais pronominais, o meu corpo sem possuir dono... A alma ainda nua de leis, contratos e atividades.
Você disse o que eu não podia reconhecer. Porque sobre tais condições, o saber torna-se um elemento suicida. E meus membros assim, atados ao teu endereço, como podem ainda me conduzir? Tenho pés que se comunicam com o que há de vir. Os olhos conhecedores das cores dos teus. Não admito e não faço força para as dores das intromissões.
Quero, pois, as dores de se ter inteiro que é efêmero. Esses sentires... Mas eu não digo feito gente que pensa umas fórmulas para proferir sentidos estruturados: ainda faço uso da linguagem que apenas os teus sentidos primitivos nascidos compreendem. Eu guardo em mim.

_Eu sou, sim.

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5 de março de 2009

Descaminhar

O que é preciso?

Quando eu fui de vez,
Fiquei única.
Lúcida.
Porto e insensatez.

Quando ficar decidi,
Viajei sem bagabem.
Malandragem.
Longe, perto de si.

Num ir e vir de fim,
Quase porta aberta aqui.

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