16 de abril de 2009

Suspiro imagens sonoras

Eu crio sonho num suspiro:
Imagino filme, senhor amor, título de livro.
Me faço em laço um compasso e caso
Num gesto em verbo, infinito.


(estalo/instante/parado/uso)

E me desfaz a fantasia a meia palavra
Meio dia, eu viro escrava.
Vou afundando a realidade sem fundo -
Tom e meio teu, avesso o mundo.

(ponta/vasto/encanto/tudo)

Eu crio sonho num suspiro:
O mesmo, outro.

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9 de abril de 2009

Eu só preciso ouvir

‘A leader, a learner
A lawful beginer
A lodger of lunacy
So lucid in the jungle
A helper, a sinner
A scarecrow's agonyzing smile’
(“Rebirth” – Angra)


Quando vivo eu, todos os dias, morro sem precisar tantas sinestesias. Uma só. Mas enquanto vivo, ironicamente caço o cheiro exato, o gosto claro, o toque segundo as temperaturas nascidas aqui envolvendo a fotografia nítida após os meus olhos fechados, a que fica. Só caço, não acho - é quando morro e sou fiel.

Minhas mortes colecionadas orgulhosamente são as maiores provas de fidelidade que consigo me dar. São os motivos repetidos pelos quais esta vida segue sem o meu controle. E que acaba em tantos pontos - mortes comemoradas e que abrem espaço para que eu possa visitar posses inalcançáveis, mesmo quando minhas e por mim. Vou morrendo porque vivo livremente em atmosferas onde não posso pelos sentidos.

E então fujo meu corpo para ocupar passagens, um não lugar para se ser, guardião. Cabeça erguida, o resto alto:
Vivo para morrer um silêncio intercalando estes dias de guerra. Silencio que diz alto, mas diz para mim.

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