9 de abril de 2009

Eu só preciso ouvir

‘A leader, a learner
A lawful beginer
A lodger of lunacy
So lucid in the jungle
A helper, a sinner
A scarecrow's agonyzing smile’
(“Rebirth” – Angra)


Quando vivo eu, todos os dias, morro sem precisar tantas sinestesias. Uma só. Mas enquanto vivo, ironicamente caço o cheiro exato, o gosto claro, o toque segundo as temperaturas nascidas aqui envolvendo a fotografia nítida após os meus olhos fechados, a que fica. Só caço, não acho - é quando morro e sou fiel.

Minhas mortes colecionadas orgulhosamente são as maiores provas de fidelidade que consigo me dar. São os motivos repetidos pelos quais esta vida segue sem o meu controle. E que acaba em tantos pontos - mortes comemoradas e que abrem espaço para que eu possa visitar posses inalcançáveis, mesmo quando minhas e por mim. Vou morrendo porque vivo livremente em atmosferas onde não posso pelos sentidos.

E então fujo meu corpo para ocupar passagens, um não lugar para se ser, guardião. Cabeça erguida, o resto alto:
Vivo para morrer um silêncio intercalando estes dias de guerra. Silencio que diz alto, mas diz para mim.

12 comentários:

Mai disse...

Linda Patty, um gosto exato, um jeito claro e único de ser é isto. Poesia Patrícia.

As letras que escorrem de tuas mãos. São tão exatas e precisas.

Palavras que têm cheiro, sabor, textura...
Amores, sempre.

Porque és a grande-mínima.

Beijos, querida.
Boa Páscoa!

Monday disse...

muitas coisas boas ao vir aqui ...

a primeira, te encontrar, a menina bonita das fotos de rostos vários que encontro em seu album internético, a menina bonita de textos poéticos em prosa bem traçada ...

também encontro Mai e seus dizeres, companheira de trocas de palavras e opiniões e quetais ...

mas o grande prazer de vir aqui é te ler, seu íntimo pintado em forma de novelo de fios tecidos e enrolados e engendrados da forma mais densa possível, o rebuscado do pensamento que se expõem em forma de sentimento íntimo, verdadeiro, quase nunca claro, quase sempre entrelinhas e períodos e orações coordenas e subordinadas interligadas de forma particular, toda sua ...

gosto de conhecer teu mar revolto interno, ouvir as águas em turbilhões e tentar decifrar o que é onda e o que é correnteza, o que é tempestade e o que é simplesmente um dia agitado em sua mente pensante ...

e embora seus olhos vejam a nitidez, é na falta dela, nas dúvidas e desconhecimentos que você se realiza de verdade, onde é mais Pati do que nunca ...

é bom ser fiel, melhor ainda navegar pela vida sem querer domá-la ou dirigi-la, para que ela possa te mostrar o infinito com todas as cores que os prismas fazem surgir depois de serem vazados pela luz branca ...

mas melhor mesmo é que tudo isso, o que caça mas não acha, as posses inalcançáveis, as atmosferas proibidas, o porto seguro no meio do inóspito, tudo isso é seu, é você ...

e é por isso que é linda e dá tanto prazer em te ter por perto, ainda que aí, tão longe ...

bjks e muito totolate

Isaque Viana disse...

Engraçado que...
sabe, se eu fosse escrever um texto agora, falaria justamente sobre isso.

Minha amiga linda,

adoro você.

Larissa disse...

Tá lindo seu espaço! Gostei. :)

Estava Perdida no Mar disse...

Quando é o que se é

Tainá Facó disse...

Meu silêncio - que não é mudo e também escreve - dita em alto e bom som: SEJA!

Lindo, linda! LINDO. Assim como você.

Sam disse...

E nessa sinestesia, que teu coração caminhe sem janais morrer.

Beijos em tua alma, flor bela!

Marcus Vinicius disse...

Como sempre se superando... ô talento!


bjs meus

Sunflower disse...

Posso deixar uma música ao invés de um comentário?

http://blip.fm/profile/sunflowerrecords/blip/7227754

e mais muitas beijas??

devaneiosviscerais disse...

Nossa, que legal, intenso isso. Você se reencontra e é feliz de uma forma curiosa, de forma única. Aproveite sua chance de viver e reviver, e ser feliz! =)

jupyhollanda disse...

"Minhas mortes colecionadas orgulhosamente são as maiores provas de fidelidade que consigo me dar. "

sem querer ser redundante, mas esta frase é MORTAL!

B_Ju

Nanda disse...

são tantas mortes, que cabe mesmo a nós, colecionadores de vidas, a fidelidade do que se é livre.

sempre muito belo o q encontro aqui!